Político, Eduardo Henrique Accioly Campos nasceu no Recife a 10 de Agosto de 1965. Casado, quatro filhos, é também economista, formado pela Universidade Federal de Pernambuco, onde foi Presidente do Diretório Acadêmico em 1985. Além de Ministro e de governador de Pernambuco para o período 2007/2010, ocupou outros vários cargos públicos

Cargos eletivos: - Deputado estadual (PSB) em 1990
- Deputado federal (PSB) em 1994, eleito com 133 mil votos, ficando
disposição do Governo do Estado de Pernambuco a partir de 1995 par
exercer o cargo de secretário do Governo e, em 1996, o de secretário da
Fazenda
- Deputado federal (PSB) em 1998, reeleito com 225 mil votos, o mai
votado do Estado
- Deputado federal (PSB) em 2002

Outros cargos: - Chefe de gabinete do governador Miguel Arraes (PE), em 1987
- Ministro da Ciência e Tecnologia do Governo Lula, em 2003
- Como deputado federal, participou de Comissões Parlamentares de
Inquérito (CPIs), como a de Roubo de Cargas e a do Futebol Brasileir
(NIKE/CBF), e foi presidente da Frente Parlamentar em Defesa d
Patrimônio Histórico, Artístico e Natural Brasileiro, criada por sua
iniciativa a 13 de junho de 2000
Em 2005, assumiu a presidência nacional do Partido Socialista Brasileiro
Em 2006, foi eleito governador de Pernambuco
Em 2010, foi reeleito Governador de Pernambuco, com uma votação jamais registrada em toda a história política do Estado: 3.450.874 votos, o que representou 82,83% do total de votos válidos


Discursos de posse como governador de Pernambuco 2007/2010

1 - Discurso do governador Eduardo Campos no Palácio das Princesas na tarde 1º de janeiro de 2007

Meus companheiros e minhas companheiras:

Já falei há pouco na Assembléia Legislativa, onde tive a oportunidade de pronunciar um discurso após ser proclamada a nossa posse pelo Poder Legislativo. Agora falo ao conjunto de companheiros e companheiras que conviveram, convivem e vão conviver comigo nas lutas do nosso povo. Falo para aqueles que construíram junto conosco, junto comigo e com João Lyra, umas das mais belas campanhas políticas que Pernambuco tem notícia. Uma campanha embalada no ideário e no sonho dos homens e mulheres que desejam desde muito construir a nação brasileira com equilíbrio, com respeito às pessoas, com a capacidade de dar felicidade aos excluídos que estão aí se acumulando pelo tanto que essa elite brasileira negou ao nosso povo as oportunidades que o nosso povo conquista quando se une e vai à luta.

Se aqui chegamos, chegamos porque o povo pernambucano ao longo dos mais de 500 anos de história do Brasil sempre foi um povo que esteve à frente das lutas libertárias contra invasor, na luta pela República, pela democracia
E nós hoje aqui representamos, se não outra coisa, a tradição de luta das forças populares de Pernambuco. Se aqui hoje chegamos carregamos o compromisso, a responsabilidade de zelar pela história de tantos que já se foram, que se misturaram com o povo e alargaram o caminho da nossa gente, de cidadania e de inclusão. Se aqui chegamos também pudemos ter a oportunidade de mostrar ao povo pernambucano a nossa capacidade de enfrentar obstáculos, a nossa capacidade de resistir, a nossa capacidade de ver caminhos onde muitos queriam desistir

Se aqui chegamos, chegamos pela força do nosso povo, pela generosidade da nossa gente, pelo apoio que não faltou de muitos companheiros e companheiras que aqui estão hoje. Se a todos eu não posso abraçar daqui, eu queria agradecer a uma mulher que me acompanhou nessa jornada todo esse tempo, a minha companheira Renata (inaudível). Em nome dele (?), a toda a nossa militância, a todos os nossos companheiros que viveram os bons e os momentos de desafio
Daqui pra frente, companheiros, o nosso desafio é grande e nossa militância e o nosso povo estão convocados para nos ajudar a fazer um governo que inaugure um tempo novo em Pernambuco. Um tempo em que os que sempre perderam vão começar a ganhar. Um tempo em que as vítimas não serão mais culpados. Um tempo em que a indignação seja a ferramenta para enfrentar a pobreza, a miséria, a violência e a exclusão. Jamais a passividade.

Aqui chegamos companheiros e desta mesma tribuna, há 20 anos atrás eu ouvia o ?guerreiro do povo brasileiro?, (inaudível) tantos nós, o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, dizer uma frase que eu hoje repito pra vocês: ?Que o possível se faça logo e que o impossível o povo ajude a fazer?.

E o povo vai nos ajudar a fazer um governo que vai marcar a história de Pernambuco. Vamos construir a entrada de Pernambuco no século XXI. Vamos integrar o nosso estado, vamos cuidar do nosso povo, vamos ouvir a população. Não vamos governar dos palácios, vamos governar com o povo participando, nos orientando e podemos fazer muito mais com o pouco de recursos que o estado tem hoje.

É preciso também saber que as eleições passaram. Na Assembléia eu disse, e agora repito, que eu estendo a mão ao diálogo, à concórdia e a construção de uma agenda comum aos pernambucanos. Com isso não desejo a unanimidade, porque ela não existe, ela não ajuda o processo histórico. Com isso desejo que a racionalidade volte a cena política pernambucana, que os ódios, os azedumes e desaforos sejam enterrados na história triste de Pernambuco. Que valha daqui pra frente o respeito, a capacidade de dialogar, a capacidade de ouvir a crítica sabendo que ela é um instrumento para aperfeiçoar a nossa vida e a nossa trajetória.

Companheiros: todos que estão aqui devem saber, ou perceber, o quanto pra nós esse momento é carregado de símbolos, de recordações, de sentimentos e de esperanças. Tenho certeza que vamos enfrentar um duro trabalho. Quem me conhece sabe que é do jeito que nós gostamos de enfrentar esse trabalho. Vamos enfrentar uma luta pesada pela frente, mas eu vejo que vem aí um novo Pernambuco, eu vejo que valeu a pena a luta de tantos anônimos construindo essa enorme unidade que fizemos no segundo turno das eleições.

Quero agradecer a todos os companheiros que se somaram, quero agradecer em particular a um companheiro do meu campo político que comigo disputou o primeiro turno e que será nosso secretário, o companheiro Humberto Costa. Quero agradecer ao conjunto dos partidos políticos que nos apoiaram e quero dizer aos companheiros que a luta começa logo cedo amanhã. E que o povo vai ajudar a gente a construir o governo que nós sonhamos. Se tudo não vamos fazer, porque em quatro anos não se faz tudo, mas tudo que a gente fizer é no caminho da nossa história, dos nossos princípios, do nosso compromisso com o povo, com os excluídos e com um Pernambuco que ajude à nação brasileira.

Pernambuco: só posso agradecer a prova de confiança que recebemos trabalhando para construir em quatro anos um Pernambuco mais fraterno, mais tranqüilo, e um Pernambuco que tenha futuro para a nossa juventude, para a nossa população. Um grande abraço para todos os companheiros e companheiras. Que Deus abençoe a todos nós! Daqui pra frente é paz, amor e trabalho! Paz, amor e trabalho.


2 - Discurso do governador Eduardo Campos na Assembléia legislativa, dia 1º de janeiro de 2007

Senhor presidente da Assembléia Legislativa de Pernambuco

Senhoras e senhores deputados

Minhas senhoras e meus senhores

Hoje, 1º de janeiro de 2007, ao assumirmos o Governo do Estado, assumimos sobretudo a tarefa de escrever, com serenidade e determinação, uma história diferente, que inaugure um novo tempo para Pernambuco
Um novo tempo, em que aqueles que sempre perderam possam por fim ganhar
Um tempo em que as vítimas não sejam mais culpadas
Um tempo em que a desigualdade social extrema cause indignação, e não indiferença

E em que essa desigualdade seja combatida sem trégua, como se combate uma injustiça, uma doença física e moral
A partir de hoje, senhoras e senhores, esse combate por justiça passa a ser algo mais que simples fruto de nossa convicção pessoal, de nossa formação moral, do ideário político que sempre abraçamos.
Essa luta por justiça torna-se a essência do mandato que o povo de Pernambuco nos concedeu no dia 29 de outubro.

Minhas senhoras, meus senhores:
O que hoje me traz de volta a esta casa, desta vez investido pelo povo da honra e da responsabilidade de governar Pernambuco, é a força de uma idéia.
Uma idéia que uniu trabalhadores das cidades e do campo, estudantes, empresários, líderes e representantes das mais variadas forças religiosas, sociais e políticas, durante esta que foi uma das mais belas campanhas eleitorais da história de Pernambuco. Campanha que, tenho certeza, trouxe grandes ensinamentos para nós e para os nossos adversários.

A idéia que nos uniu a tantos pernambucanos, senhoras e senhores, foi a idéia de que é importante sim que sejam construídas estradas. No entanto, mais importante do que construir estradas é construir a cidadania, a inclusão dos que sempre estiveram à margem do desenvolvimento. É construir os caminhos do futuro para a nossa gente.

Porque o desenvolvimento econômico só faz sentido se beneficia a grande maioria da população, e não apenas uns poucos
Foi a inversão perversa dessa verdade tão simples que causou em Pernambuco, nos últimos anos, uma falsa percepção de desenvolvimento. Quando, na verdade, se buscava ? e de fato se conseguiu, por 16 anos ? perpetuar os mecanismos da nossa brutal desigualdade histórica.

O grande desafio que temos pela frente é corrigir essa distorção. Fazer com que pernambuco acelere seu desenvolvimento, garantindo que os frutos desse desenvolvimento beneficie a todos os pernambucanos, de todas as regiões do nosso Estado.

Oferecer aos pernambucanos oportunidades reais para que se emancipem a partir de suas próprias forças, do seu próprio talento e capacidade. E que dessa maneira se tornem os verdadeiros atores de sua história pessoal e coletiva
Há, portanto, muito trabalho pela frente. Mas não estamos sós. Somos continuadores de uma das mais ricas tradições das forças progressistas de pernambuco. A tradição de formular e realizar programas e projetos que atendam à maioria, que estimulem a organização popular e assegurem a afirmação da cidadania.

Essa linha do tempo parte de épocas remotas e está fincada na resistência ao invasor. Na luta pela independência. Nos relatos de bravura e heroísmo de que deram prova brancos, negros e índios; senhores e escravos; militares, comerciantes, sacerdotes e profissionais liberais que conquistaram e desenvolveram esta terra, berço e orgulho de todos nós.

Em tempos mais próximos, honraram as lutas do passado os que, por defenderem a democracia, foram perseguidos, presos, torturados, exilados ou mortos. Essas lutas nos foram legadas, e, se aqui estamos, é porque muitos antes de nós eles foram às ruas, em nome da liberdade. A eles, da tribuna desta casa republicana presto neste momento reverência e homenagem.

Senhoras e senhores:

O mandato que se inicia hoje representa o ponto alto da retomada do papel histórico do povo pernambucano como agente das mudanças. Um processo interrompido oito anos atrás, mas que vem sendo paulatinamente reconstruído, sobretudo a partir do ano 2000 sob a liderança de tantos companheiros que se encontram hoje conosco nesta casa e nesta jornada.
É parte crucial do nosso papel histórico, daqui para adiante, nos mantermos coesos e fraternos em torno dos princípios e das práticas que sempre nos guiaram, de modo a aprofundar a luta popular e evitar o retorno daqueles que sempre quiseram nos dividir para reinar.

Esse mandato se inscreve também como parte de um movimento em escala continental, em que se firmam em toda a América do Sul governos comprometidos com a causa do povo, depois do evidente fracasso do modelo neoliberal em todo o continente.

Em nosso Estado e em nosso país os defensores daquele modelo diziam que o Estado haveria de se afastar da economia, para que a economia crescesse. Hoje, como se vivêssemos uma fina ironia da história, toda perspectiva de desenvolvimento da economia pernambucana está fortemente ligada a projetos liderados pelo Estado brasileiro, como a refinaria, o estaleiro, a ferrovia transnordestina, a hemobrás, a transposição do Rio São Francisco e tantos outros empreendimentos.

Em face desse quadro, inclusive, firmo mais uma vez meu compromisso de, como governador, criar um ambiente propício para a retomada também dos investimentos privados em nosso Estado. Com especial destaque para que o empresariado pernambucano volte a acreditar em nosso Estado, participando fortemente da arrancada do nosso desenvolvimento
Precisaremos de todos, pois o desafio que nos foi legado não se resume em administrar o Estado e fazer o possível. Precisamos fazer o necessário, mobilizando o povo pernambucano para tornar possível o que sem sua força seria irrealizável.
E é necessário enfrentar o desemprego e a insegurança. Ampliar e melhorar os serviços públicos de abastecimento d?água, de saneamento, de educação, de cultura, saúde e transporte.

O Governo do Estado não se dobrará aos alarmantes índices de miséria e de concentração de renda, em uma sociedade apartada pelo fosso da vergonha que separa os que comem três vezes ao dia e os que lutam para ter o que comer no fim do dia. Ao mesmo tempo, estamos determinados a preparar pernambuco para o século 21. Para os novos tempos, em que o desenvolvimento soberano e sustentável não estará apenas baseado em recursos naturais, extensão territorial ou poderio militar, mas, sobretudo, em conhecimento técnico-científico.

Em Pernambuco está o maior contingente de mestres e doutores do Nordeste, e um dos mais importantes do Brasil. Nossa intenção é fazer a aliança entre o conhecimento e a tecnologia acumulados na universidade e o saber do povo, moldado pela prática e pela tradição.

Essa aliança estratégica irá, entre outros objetivos, potencializar os efeitos da implantação dos chamados projetos estruturadores, entre eles a refinaria de petróleo, o estaleiro naval, o pólo de poliéster e a hemobrás. Precisamos formar e capacitar com rapidez nossos trabalhadores, para que eles, sobretudo os jovens, ocupem os novos postos de trabalho
A maturação desses e de outros grandes projetos levará à transformação da base econômica do Estado, com efeitos positivos sobre a redução do desemprego e, consequentemente, sobre a grave crise social. Deveremos igualmente aproveitar o dinamismo econômico resultante desses projetos para influir no crescimento dos setores da velha economia pernambucana, como a agroindústria açucareira, que tantos empregos criou e pode voltar a criar.

Também deveremos investir nos arranjos produtivos que o povo desenvolveu em cada região, e que são essenciais para fazer o Estado crescer com equilíbrio.

Minhas senhoras e meus senhores:

A disputa eleitoral está encerrada. Estendo as mãos ao diálogo e à concórdia. Conclamo a sociedade a unirmos o Estado em torno de novos consensos que precisamos stabelecer, numa agenda comum, voltada para a construção de um futuro à altura das nossas mais legítimas esperanças. Reconhecemos nossas limitações e temos consciência de nossas potencialidades. Com determinação e firmeza, construiremos o Pernambuco com o qual sonhamos.

Cito meu avô Miguel Arraes para afirmar que administrar Pernambuco nunca foi, em tempo algum, fácil ou cômodo. Teremos divergências sobre os caminhos a seguir. Mas não deveremos por isso recusar as convergências, quando elas significarem o interesse da maioria e das forças comprometidas com uma nação justa, solidária e soberana.

Saberemos contar com o apoio dos servidores públicos estaduais. O projeto neoliberal tentou, por longo tempo, esvaziar o papel do Estado e, por extensão, a essencialidade do serviço público. Este projeto foi derrotado. Vamos agora reorganizar o serviço público e qualificar continuamente os servidores, de modo que a população seja adequadamente atendida em suas demandas.

Aqui estamos porque há democracia no Brasil. Mas a democracia formal não basta. Ela é insuficiente para corrigir distorções que atingem toda a sociedade e que só podem ser retificadas com a democratização da economia. O regime democrático tem que abrigar, por definição, as aspirações de todos por uma vida melhor.

Caminha nessa direção a América do Sul, onde alianças com hegemonia das esquerdas foram vencedoras em diversos países, com destaque para a vitória do companheiro Luís Inácio Lula da Silva no Brasil.

Abrem-se novas perspectivas para ações solidárias entre os países sul-americanos, dentre as quais o exemplo mais vivo para nós pernambucanos é o acordo entre o Brasil e a Venezuela para a construção da Refinaria Abreu e Lima, no Complexo de Suape.

A economia brasileira reúne hoje condições excepcionais para impulsionar um novo ciclo de desenvolvimento. Em nenhum momento dos últimos 30 anos foi criada uma combinação tão favorável: crescimento com distribuição de renda, controle da inflação, geração de empregos e redução da pobreza. Agora é hora de destravar o Brasil e crescer a economia, com liberdade, equilíbrio e a decisão de incluir o maior número possível de brasileiros.

Mudará também o Nordeste, porque o Nordeste mudou politicamente, com a eleição de uma nova safra de líderes comprometidos com as populações mais humildes e com uma visão moderna da inserção da nossa região na vida brasileira: mais unida em torno dos interesses comuns e mais determinada a ser vista como parte da solução do problema brasileiro ? e não como problema à parte, a ser solucionado. É preciso repetir que a questão nordestina é parte fundamental da questão brasileira.

Queremos sepultar no passado as guerras fiscais entre os Estados nordestinos, em que isenções, subsídios e incentivos se transformaram em armas, nas batalhas pela atração de empreendimentos públicos e privados.

Tal política nos isolou e nos empobreceu. Em seu lugar, buscaremos o planejamento regional, lastreado por investimentos estruturadores do Governo Federal na região, no fortalecimento e modernização dos instrumentos institucionais como a nova Sudene e em ações articuladas pelo conjunto dos governos estaduais.

Mudará, por fim, o modo como Pernambuco será governado. É nossa decisão fazer um governo participativo, transparente, politicamente coeso, responsável na gestão fiscal e comprometido com o desenvolvimento integrado e ecologicamente sustentável de todas as regiões do Estado.

A adminstração estadual ampliará os canais de diálogo com a sociedade e criará outros, de maneira a fomentar a participação popular no processo administrativo. A orientação perpassará todo o Governo, mas será essencial no combate à violência, que exigem a integraçào de todos os segmentos organizados da sociedade e dos poderes constituídos para ser vencida.

Almejamos a participação popular, não apenas porque dela depende o contínuo aperfeiçoamento do Estado e a legitimação das ações do Governo. Mas, porque é sobretudo com a participação popular que se constrói a consciência de cidadania, dos diretos e deveres, dos limites e das liberdades individuais.

A administração estadual será transparente. As contas do Estado serão disponibilizadas a todos os cidadãos via internet. A essa antiga reivindicação da sociedade pernambucana irão se somar outras medidas, como a padronização dos preços de produtos e serviços adquiridos pelo Estado, a repactuação dos contratos, a definição de nova prática para as licitações públicas, o fortalecimento das funções de controle de gestão e consulta à população, de que é exemplo claro a Controladoria, que estamos implantando.

É nosso compromisso adotar o modelo democrático de gestão do Estado, com a criação de conselhos nos quais a população, diretamente ou por seus representantes, possa se fazer ouvir e reivindicar seus direitos.

A administração estadual trabalhará com unidade política. Ela será buscada não apenas por ser natural e necessária a aliança de partidos que deu a vitória à Frente Popular de Pernambuco nas urnas em outubro. Mas por ser esta uma exigência do povo, que terá, na unidade das forças progressistas do Estado, e na sustentação que tais forças assegurem ao governo contraponto necessário aos conservadores na defesa dos seus interesses.

Outro compromisso que assumimos de maneira firme é não transigir em relação ao equilíbrio fiscal das contas públicas. O controle das despesas será rígido, e será constante o esforço sobre a ampliação das receitas. No entanto, estas medidas não significarão um fim em si. Implantaremos um equilíbrio fiscal dinâmico, que assegure a estabilidade do tesouro e, ao mesmo tempo, garanta a qualidade dos serviços públicos e a capacidade de investimento do Estado.

Constitui, aliás, um dos mais sérios desafios ao novo Governo ampliar expressivamente a capacidade de investimento de Pernambuco, hoje muito baixa, de forma a garantir o cronograma de implantação dos nossos projetos de governo.

A administração estadual terá como um dos seus eixos o desenvolvimento integrado das regiões. O acelerado processo de urbanização, a concentração do parque industrial na região metropolitana do Recife e a falta de incentivo à economia tradicional pernambucana provocaram o esvaziamento econômico de largos espaços do nosso território.

Trata-se de um processo que perdura há décadas, agravado nos últimos anos. Para revertê-lo, será essencial a retomada do planejamento estadual em uma perspectiva integradora. Essencial, mas não suficiente. Ao planejamento regional precisam se agregar novas políticas do Governo Federal que olhem para o país na mesma perspectiva de integração das regiões brasileiras, que retomem os grandes investimentos em infra-estrutura no Nordeste e que apóiem governos que busquem a integração econômica das regiões ? sempre numa perspectiva de garantia da qualidade de vida das gerações futuras, e da construção da nação brasileira que desejamos.

Senhoras e senhores:

Há quase 43 anos, em 31 de janeiro de 1963, Miguel Arraes de Alencar, um homem do povo, ocupou esta tribuna para dirigir-se pela primeira vez a Pernambuco na condição de governador do Estado. A memória de seus três governos permanece viva na lembrança dos pernambucanos mais pobres, com quem doutor Arraes firmou compromissos que o levaram ao poder, à resistência à ditadura e à restauração do seu mandato por mais duas vezes.

Convivi com meu avô por mais de 20 anos. Ele me ensinou o essencial para a vida pública: a luta sem fim pela democracia, a defesa permanente da soberania nacional, a crença na força da organização popular, o compromisso com os excluídos.
Dele ouvi que cada dia amanhecerá inevitavelmente, quer queiramos ou não. Mas o nosso futuro, o futuro de brasileiros, nordestinos e pernambucanos emancipados econômica e politicamente, este nós teremos de conquistar a cada hora e a cada dia. E só nos será possível merecê-lo e conquistá-lo com trabalho e mais trabalho.

Não falta a mim, aos que comigo irão governar e ao povo de Pernambuco disposição para o trabalho. Como também não faltam, ao compartilhar este momento com tantos companheiros de jornada, a alegria e a firme convicção de que, apesar dos desafios, ao final teremos boas contas a apresentar.

Como meu pai Maximiano Campos desejou um dia, prometo ser ?servo apenas do ideal e do sonho?, e trabalhar para que Pernambuco cumpra sua vontade de justiça e grandeza.

Muito obrigado a todos.